domingo, 1 de junho de 2008

A irmã azul


-¨Eu não sou uma pessoa azul¨,
dizia minha irmã,
olhando vitrines,
distraidamente...
Para depois, sorrindo, observar:
sua blusa azul; sua saia azul,
nos espelhos onde se olhava,
detidamente...
Ela fugiu do marasmo de sua vida;
tentou fugir dos defeitos,
dos amores imperfeitos,
de uma vida, digamos, cinza...
Foi para a América do Norte.
E, tentando ser forte,
por lá ficou; por lá se arranjou.
Morava mal; comia mal.
Dormia mal? Não sei,
nunca saberei.
Mas as coisas melhoraram,
e ela sobreviveu.
Outros países, outros amores,
quem sabe, flores?
Conheceu.
E hoje, européia, total inglesa,
de cama e mesa,
desfaz-se em lágrimas
toda vez que retorna
por estas bandas
e, depois, volta, para uma vida morna,
nas terras do frio, aos calafrios...
Ô, minha irmã, é isso mesmo,
a vida é cinza, sujeita a chuvas e trovoadas,
alegre, às vezes, sujeita a trombadas,
nem branca, nem preta,
é nevoenta, é friorenta,
e isto afugenta
uma pessoa (não) azul
dessas ensolaradas terras do sul...
Mas eu estarei aqui, de braços abertos,
com sorrisos espertos,
te esperando, sempre pensando
na sua felicidade, na sua bondade, na sua generosidade,
intrigada, imaginando como foi o seu destino,
de pessoa não azul, que ama estas terras do sul...

2 comentários:

leila disse...

Pra quem queria uma vida cheia de cores...mas no fundo e toda azul... a emocao me tomou as palavras minha irma, muito lindo o poema...so espero um dia poder matar as saudades dessas terras do sul!!!Lindissimo poema!!! Love you!!!

Anônimo disse...

Querida Leiloca: Vc. se saiu muito bem nestas terras friorentas, any way! Agora é batalhar para encontrar o seu lugar, aqui, nas terras do sul, querida irmã (não) azul!...