domingo, 3 de agosto de 2008

Bandida assustada

Bandida, tres vezes bandida,
de sangue quente...
Te vejo, te quero, me atrevo.
Mas tem um vago outro lado,
lado escondido de mim,
lado quieto, não falante,
lado somente pensante,
murmurante, balbuciante,
o lodaçal, pantanal,
os portões do meu umbral,
lá mesmo, onde se escondem
as dores, os malefícios,
a culpa, o medo, o mal.
Lado sabido e negado,
exorcizado, esquecido,
e nunca compreendido.
Quando, bandida, te ataco,
exponho o meu lado fraco,
exponho minha carência,
sem um pingo de decência...
Me use, mas não abuse:
sou a menina assustada,
que ainda acredita em fada,
e gosta de chocolate.
Me ate, mas não maltrate...