segunda-feira, 2 de junho de 2008

A imensidão do tempo

Balança, rede, balança,
o corpo que já foi ligeiro.
Os sinos das seis horas já sabiam
da disposição do corpo, companheiro
das caminhadas dos dezoito anos.
Os sinos das seis horas já tocaram, e ecoaram
ao fim da madrugrada sonolenta.
Aos dezoito anos, o tempo tem outro valor.
Agora, há o tempo interior
e dele não nos queixamos.
O tempo, avança sempre, descuidado,
quem sabe, de si mesmo já cansado,
devolvendo à terra outra semente.
O tempo, sempre o tempo, bem treinado,
supre a Natureza, em sua dança,
de outro amanhecer, outra criança,
e, assim, a vida vai seguindo em frente.
Tempo-maestro, que a tudo vai regendo.
Tempo-poder, que a tudo vai moendo.
Eu queria, do meu tempo, só um tempinho
em que eu pudesse ficar sem pensar,
nem sonhar, nem meditar, nem precisar
de compreensão ou de carinho
(só um tempinho)
em que eu pudesse, descuidada, acompanhar
(só um pouquinho)
a imensidão do tempo em seu caminho....

4 comentários:

Asdrúbal Brandão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Asdrúbal Brandão disse...

Linda...Qualquer comentário maior que este seria redundante! Uma perda de tempo!

marcela p. disse...

§

Aprendi de uma poeta que, a despeito da ação do tempo, ficará "o inesquecível perfume de uma flor.
(A flor imarcescível do amor)".

§

Lia Sophia disse...

É verdade, cara Marcela, o tempo mói muita coisa, mas há coisas imortais...