terça-feira, 3 de junho de 2008

O fio da meada


A meada fica lá, na gaveta, enrolada.
Não se sabe onde começa, onde termina,
não se sabe de nada.
Tem começo, e tem fim,
bem escondidos.
Eu também me sinto assim:
uma meada enrolada.
Para chegar onde estou,
onde tudo começou?
Qual a mão que me enrolou?
Que trabalho, puxar o fio!
Ver, em perspectiva, o fio reto, completo,
o fio da nossa vida.
Um dia, depois do outro,
como tudo aconteceu,
quem viveu e quem morreu,
como chegamos onde estamos.
Necessitamos de estímulo para agir,
ou de sofrimento para progredir?
Vivenciamos os sentimentos,
sem culpas ou ressentimentos?
Abrimos portas a novas percepções,
sem traumas ou confusões?
Deixamos fluir noites e dias,
demos adeus às vãs filosofias,
conquistamos a sabedoria?
Finalmente, com serenidade,
alcançamos a maturidade?
Para responder sim, ou não,
temos que mexer na meada,
que fica quieta, guardada,
nossa meada enrolada.

2 comentários:

marcela p. disse...

§

É preciso um bocado de coragem para mexer nesses fios; tirá-los das mãos das moiras e tecer (ou desfiar) nossa vida e destino...

§

Anônimo disse...

Desenrola, lia-sophia..Vc tem uma cabeça muito interesante. O resto tbem e enrolado?